O erro de copiar o SIN: por que a GD precisa de um modelo próprio
Diferenças estruturais entre GC e GD revelam falhas na gestão de ativos e centros de operações


Na corrida pela profissionalização da Geração Distribuída (GD), muitos investidores importaram soluções da geração centralizada. O resultado?
Centros de operações caros, processos que não se aplicam e um desequilíbrio financeiro que corrói a rentabilidade.
Na corrida pela profissionalização da Geração Distribuída (GD), muitos investidores importaram soluções da geração centralizada. O resultado? Centros de operações caros, processos que não se aplicam e um desequilíbrio financeiro que corrói a rentabilidade.
A gestão de ativos na GD vive um paradoxo. De um lado, a busca por eficiência e controle inspirados no Sistema Interligado Nacional (SIN). De outro, a realidade de ativos menores, descentralizados e com retornos dependentes de métricas de um modelo que nem sempre segue padrões de um LCOE (Levelized Cost of Energy) e que após a corrida do ouro da GD0 e GD1, não foi possível construir controles e padrões para uma gestão orientada a um LCC (Life Cycle Cost). O erro capital está em aplicar a régua da GC, como se fosse um modelo de prateleira, ignorando as particularidades da GD.
As 5 ineficiências graves da GD:
1. Inviabilidade Econômica e Excesso de Investimento: centros de operações caros em hardware, software e pessoal tornam o CAPEX e o OPEX desproporcionais ao porte da GD, corroendo margens.
2. Incompatibilidade Regulatória e Operacional: processos herdados do SIN simplesmente não encontram aderência na regulação e dores vivenciadas na GD.
3. Fragilidade na gestão de dados: carência ou excesso de informação sem
padronização e orientação técnica à riscos, compromete decisões rápidas.
4. Desalinhamento com o ROI: sofisticação operacional sem relação clara com LCOE, TIR e LCC gera desequilíbrios estruturais.
5. Ausência de parcerias estratégicas: isolamento entre players sem a busca genuína pela redução de ineficiências no O&M, em vez de promover operações conjuntas e ganho de escala.
A solução não é replicar, mas reconfigurar. A GD precisa de Centros de Operações leves, digitais e escaláveis, apoiados em plataformas em nuvem, automação de rotinas e contratos de O&M com escopo claro e custos proporcionais. O foco deve estar na relação custo benefício: menos investimentos desproporcionais sem qualidade, mais inteligência e retorno.

Em fóruns importantes do segmento, como o da 360solar que será realizado nos dias 06 e 07 de novembro de 2025, algumas discussões de estratégia norteiam o mantra “... realizamos a estruturação do Centro de Operações e em menos de 2 anos, o custo fixo engoliu parte significativa do fluxo de caixa, forçando uma revisão de estratégia...”, em contrapartida, players que investiram em soluções digitais, integraram o monitoramento remoto e inteligência de dados, sem descuido as boas práticas de O&M e gestão de risco, alcançaram a eficiência.
A pergunta que fica é simples: você está erguendo uma mera vitrine operacional ou uma estrutura eficiente para escalar a Solar por meio de M&A, BESS enovas parcerias? No setor solar, parecer profissional pode custar caro – às vezes, o preço é a própria rentabilidade.

Allan Mesquita
Allan Mesquita é Diretor de Gestão de Ativos da Brasol, joint venture entre Siemens e BlackRock, com mais de 20 anos de experiência no setor de energia. Especialista em energias renováveis pela UFPR e MBA em Inovação pela FIA, construiu uma trajetória sólida em M&A, operação e manutenção (O&M) e performance de ativos, com passagens por Endesa, Brasil PCH, EDP e Auren. Reconhecido por transformar operações complexas em vantagem competitiva, liderou a gestão de 6GW+ em ativos, com reduções 25%+ em custos operacionais e ganhos expressivos em confiabilidade. Na Brasol, estruturou a área de Gestão de Ativos e criou uma unidade autossustentável de O&M com presença nacional, elevando o padrão de performance e eficiência. Premiado por projetos de inovação digital, como o Sistema de Gerenciamento da Operação (SGO), Allan alia governança, dados e excelência técnica para gerar valor sustentável e consolidar referências em O&M solar e eficiência energética.
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