O erro de copiar o SIN: por que a GD precisa de um modelo próprio

Diferenças estruturais entre GC e GD revelam falhas na gestão de ativos e centros de operações

O ERRO DE COPIAR O SIN: POR QUE A GD PRECISA DE UM MODELO PRÓPRIO
fonte BRASOL, COI Brasol Renewable Asset Management (BRAM)

Na corrida pela profissionalização da Geração Distribuída (GD), muitos investidores importaram soluções da geração centralizada. O resultado?

Centros de operações caros, processos que não se aplicam e um desequilíbrio financeiro que corrói a rentabilidade.

Na corrida pela profissionalização da Geração Distribuída (GD), muitos investidores  importaram soluções da geração centralizada. O resultado? Centros de operações caros,  processos que não se aplicam e um desequilíbrio financeiro que corrói a rentabilidade. 

A gestão de ativos na GD vive um paradoxo. De um lado, a busca por eficiência e controle  inspirados no Sistema Interligado Nacional (SIN). De outro, a realidade de ativos menores,  descentralizados e com retornos dependentes de métricas de um modelo que nem sempre  segue padrões de um LCOE (Levelized Cost of Energy) e que após a corrida do ouro da GD0  e GD1, não foi possível construir controles e padrões para uma gestão orientada a um LCC (Life Cycle Cost). O erro capital está em aplicar a régua da GC, como se fosse um modelo de  prateleira, ignorando as particularidades da GD.

As 5 ineficiências graves da GD: 

1. Inviabilidade Econômica e Excesso de Investimento: centros de operações caros  em hardware, software e pessoal tornam o CAPEX e o OPEX desproporcionais ao  porte da GD, corroendo margens. 

2. Incompatibilidade Regulatória e Operacional: processos herdados do SIN  simplesmente não encontram aderência na regulação e dores vivenciadas na GD.

3. Fragilidade na gestão de dados: carência ou excesso de informação sem  

padronização e orientação técnica à riscos, compromete decisões rápidas.

4. Desalinhamento com o ROI: sofisticação operacional sem relação clara com LCOE,  TIR e LCC gera desequilíbrios estruturais. 

5. Ausência de parcerias estratégicas: isolamento entre players sem a busca genuína  pela redução de ineficiências no O&M, em vez de promover operações conjuntas e  ganho de escala. 

A solução não é replicar, mas reconfigurar. A GD precisa de Centros de Operações leves,  digitais e escaláveis, apoiados em plataformas em nuvem, automação de rotinas e contratos  de O&M com escopo claro e custos proporcionais. O foco deve estar na relação custo benefício: menos investimentos desproporcionais sem qualidade, mais inteligência e retorno.

Em fóruns importantes do segmento, como o da 360solar que será realizado nos dias 06 e 07  de novembro de 2025, algumas discussões de estratégia norteiam o mantra “... realizamos a  estruturação do Centro de Operações e em menos de 2 anos, o custo fixo engoliu parte  significativa do fluxo de caixa, forçando uma revisão de estratégia...”, em contrapartida,  players que investiram em soluções digitais, integraram o monitoramento remoto e inteligência  de dados, sem descuido as boas práticas de O&M e gestão de risco, alcançaram a eficiência. 
A pergunta que fica é simples: você está erguendo uma mera vitrine operacional ou uma  estrutura eficiente para escalar a Solar por meio de M&A, BESS enovas parcerias? No setor  solar, parecer profissional pode custar caro – às vezes, o preço é a própria rentabilidade. 

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Allan Mesquita

Allan Mesquita é Diretor de Gestão de Ativos da Brasol, joint venture entre Siemens e BlackRock, com mais de 20 anos de experiência no setor de energia. Especialista em energias renováveis pela UFPR e MBA em Inovação pela FIA, construiu uma trajetória sólida em M&A, operação e manutenção (O&M) e performance de ativos, com passagens por Endesa, Brasil PCH, EDP e Auren. Reconhecido por transformar operações complexas em vantagem competitiva, liderou a gestão de 6GW+ em ativos, com reduções 25%+ em custos operacionais e ganhos expressivos em confiabilidade. Na Brasol, estruturou a área de Gestão de Ativos e criou uma unidade autossustentável de O&M com presença nacional, elevando o padrão de performance e eficiência. Premiado por projetos de inovação digital, como o Sistema de Gerenciamento da Operação (SGO), Allan alia governança, dados e excelência técnica para gerar valor sustentável e consolidar referências em O&M solar e eficiência energética.

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