Acordo final da COP30 omite menção a combustíveis fósseis

Conferência teve como principal resultado compromisso de mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano para ações climáticas

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Ueslei Marcelino/COP30

O acordo final da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), encerrada no último sábado (22/11), omitiu qualquer menção a combustíveis fósseis. O “Pacote de Belém”, assinado por 194 países, teve como principais resultados os compromissos de mobilizar US$ 1,3 trilhão anualmente para ações climáticas e de triplicar o financiamento para adaptação climática até 2035.

O texto deu ênfase a solidariedade e investimento, estabelecendo metas financeiras ambiciosas, mas deixando a transição energética para discussões futuras. A queima de combustíveis fósseis é a principal causa do aquecimento global. Diversos países, incluindo negociadores da América do Sul e da União Europeia, expressaram preocupação com essa omissão.

Mais de 80 países apoiaram a proposta do Brasil de incluir um mapa formal para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, que chegou ser incluído em uma versão preliminar. Porém, o acordo final fez apenas uma referência ao “Consenso de UAE”, um compromisso pela transição energética firmado na COP28.

Metas financeiras

Após duas semanas de negociações, o texto final incluiu compromissos financeiros e iniciativas para ajudar países a cumprir metas climáticas e planos de adaptação nacionais. Pela primeira vez, um acordo de COP mencionou a necessidade de combater a desinformação e narrativas que minam ações baseadas na ciência.

No encerramento da conferência, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, reconheceu as omissões do acordo e anunciou planos para a criação de dois programas: um para interromper e reverter o desflorestamento e outro para uma transição energética justa e ordenada.

O secretário de clima da Organização das Nações Unidas (ONU), Simon Stiell, apontou ganhos obtidos na COP30: novas estratégias para acelerar a implementação do Acordo de Paris, um impulso para triplicar o financiamento de adaptação climática e compromissos em direção à transição energética.

“Apesar de águas turbulentas na geopolítica, 194 nações se mantiveram unidades para manter a humanidade na luta por um planeta habitável, determinados a limitar o aquecimento em 1.5°C”, disse Stiell.

A COP30, realizada em Belém (PA) entre 10 e 22 de novembro, também foi marcada por protestos, incluindo um bloqueio realizado por grupos indígenas que demandavam maior proteção para a Floresta Amazônica, e por um incêndio que atingiu um dos pavilhões do evento.

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Ricardo Casarin

Repórter de economia e negócios, com passagens pela grande imprensa. Formado na Universidade de Metodista de São Paulo, possui experiência em mídia impressa e digital e na cobertura de diversos setores como petróleo e gás, energia, mineração, papel e celulose, automotivo, entre outros.

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