Tarifa residencial de energia deve subir 5,4% em média no Brasil em 2026
Aumento de custos de transmissão será o principal fator para alta da conta de luz, indica estudo da TR Soluções


As tarifas residenciais de energia devem registrar alta média de 5,4% em 2026, conforme projeções da TR Soluções. Os cálculos foram feitos com base no Serviço para Estimativa de Tarifas de Energia (SETE) aplicando os procedimentos de regulação tarifária para cada uma das 51 concessionárias de distribuição de todo o Brasil. Em termos médios por região do Brasil, os consumidores da região Sul são os que perceberão o maior aumento médio, de quase 10%, seguido pelos do Sudeste (8%).
Projeção de reajuste por região:
- Sul: 9,81%
- Sudeste: 7,69%
- Norte: 3,65%
- Centro-Oeste: 1,41%
- Nordeste: 0,30%
Em média, a variação positiva mais significativa das tarifas está associada ao aumento dos custos de transmissão, que deve sofrer um acréscimo importante. “Essa previsão é reflexo das tarifas de transmissão já definidas para o ciclo 2025/2026 e cujo aumento médio de 12% já é certo para os consumidores atendidos pelas concessionárias que passam por reajuste tarifário no primeiro semestre, mas com aumento menor projetado para as empresas com reajuste no segundo semestre”, explicou o diretor de Regulação da TR Soluções, Helder Sousa.
Por outro lado, em média, os dois elementos mais importantes da tarifa – o custo do serviço de distribuição e de compra de energia – devem crescer abaixo da inflação. Esse alívio está associado em primeiro lugar ao aumento do rol de consumidores responsáveis pelos custos associados ao subsídio da CDE GD – a Lei nº 15.269/2025 estabeleceu que os consumidores livres também devem arcar com o subsídio.
Além disso, o fim do suprimento da maioria dos contratos do chamado leilão emergencial, que contratou energia para enfrentamento da crise de 2021, deve proporcionar uma redução de quase R$ 2 bilhões de receita fixa de energia de reserva. O efeito dessa redução recai como alívio ao Encargo de Energia de Reserva (EER).
Quanto aos consumidores livres, a alteração no critério de rateio dos custos da energia das eletronucleares Angra 1 e Angra 2, por determinação da Lei 15.235/2025 (conversão da MP 1.300/2025) deve ser o grande vilão, já que eles deverão perceber um acréscimo de cerca de R$ 10/MWh ao participarem do rateio dos custos da energia nuclear.

Ricardo Casarin
Repórter de economia e negócios, com passagens pela grande imprensa. Formado na Universidade de Metodista de São Paulo, possui experiência em mídia impressa e digital e na cobertura de diversos setores como petróleo e gás, energia, mineração, papel e celulose, automotivo, entre outros.
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