CFTV em usinas solares

Por que a vigilância perimetral com câmeras térmicas se tornou a solução de referência no Brasil?

CFTV EM USINAS SOLARES
Solan Group

Usinas solares maiores que 1MW no Brasil combinam perímetros extensos, localizações remotas e baixa presença humana, o que as torna especialmente expostas a furtos de cabos, módulos, inversores e vandalismo. 

A adoção de CFTV perimetral com câmeras térmicas, apoiada por analíticos de vídeo baseados em IA, se intensificou ao longo do último ano por reunir alta assertividade na detecção, redução consistente de falsos alarmes e bom custo-benefício quando comparada as outras soluções disponíveis no mercado. 



Risco, contexto setorial e motivadores

O crescimento acelerado de instalações de usinas fotovoltaicas no Brasil elevou a criticidade da segurança dessas usinas. O país consolidou-se entre os líderes globais em capacidade instalada, com uma expansão robusta tanto na geração centralizada quanto na distribuída, dinamizada por queda de custos e pela atratividade regulatória. Em paralelo, operadores vêm relatando aumento de incidentes patrimoniais em instalações remotas — especialmente furtos de cabos de cobre, módulos e atos de vandalismo — motivados pelo valor de revenda dos materiais e pela dificuldade de vigilância humana in loco em áreas extensas.

Os principais fatores de risco para usinas solares incluem, perímetros longos com topografias irregulares (que dificultam o ângulo de visão de câmeras), baixa disponibilidade de recursos, e policiamento inexistente. A falta de limpeza da vegetação também é um fator relevante que gera falsos positivos em sensores de barreiras e fibra sensitiva, e dificulta a visibilidade de câmeras convencionais. 

Roubo de cabos e equipamentos e o vandalismo têm impactos financeiros diretos e indiretos significativos. As perdas diretas incluem cabos de cobre/alumínio, módulos, inversores e equipamentos elétricos, já as perdas indiretas são a redução da receita pela redução de energia e eventuais penalidades contratuais (PPA). E o dono da usina ainda terá que assumir os prejuízos colaterais com mão de obra e material para reposição do que foi roubado, e/ou terá aumento nos custos de seguro das usinas, e tem a imagem da empresa manchada pela falta de entrega da energia contratada.

No caso de vigilância perimetral com câmeras térmicas, alguns desses problemas são mitigados, principalmente problemas com vegetação. Por isso essa solução vem se firmando como o “primeiro anel” de detecção e classificação de intrusões, por manter desempenho estável em baixa iluminação, neblina leve e variações térmicas moderadas. Combinada a analíticos de IA e a procedimentos operacionais padronizados (SOP), a solução tem reduzido perdas, acelerado a resposta e diminuído os custos recorrentes de segurança.



A solução de câmeras térmicas perimetrais: fundamentos, características e benefícios

Câmeras térmicas operam tipicamente na faixa do infravermelho de onda longa (LWIR, 8–14 μm), captando a radiação térmica emitida por objetos. Isso permite detecção em escuridão completa e/ou iluminação irregular, sem necessidade de iluminação auxiliar. São menos sensíveis a sombras ou faróis de veículos que afetam muito a visibilidade de câmeras comuns. 

Do ponto de vista de engenharia, projetistas usam critérios como DRI (Detecção, Reconhecimento e Identificação), historicamente baseados nos critérios de Johnson, para correlacionar o tamanho do alvo, resolução do sensor, distância e lente com o desempenho esperado. Em perímetros de usinas, o objetivo é maximizar a probabilidade de detecção e minimizar falsos alarmes mantendo cobertura contínua, com sobreposição controlada de campos de visão e zonas de alarme.

Em resumo, as câmeras térmicas juntam características técnicas e comerciais atrativas para implantação em usinas. Possuem alta assertividade na detecção de intrusos, reduzem falsos alarmes, tem baixa sensibilidade a luz visível e quando bem aplicadas, deixam o projeto com um bom custo-benefício. 

Adoção recente em usinas solares: tendências, escala e evidências

A adoção de câmeras térmicas perimetrais em usinas solares no Brasil começou em 2023 (meu primeiro projeto) e intensificou-se ao longo de 2024–2025 por três vetores:

  1. Pressão por mitigação de perdas e continuidade operacional, diante de incidentes patrimoniais amplamente noticiados no setor de energia.
  2. Maturidade dos analíticos de IA para o espectro térmico e maior oferta de modelos com processamento avançado.
  3. Queda gradual de preço relativo das térmicas e disponibilidade de fornecedores com base instalada no país.

Embora não haja um dado preciso que contabilize “número de usinas com térmicas”, alguns indicadores mostram como a adoção vem aumentando de forma consistente. Aqui na ILIOS, a maioria dos projetos executivos que desenvolvemos são com câmeras térmicas (42 dos 48 projetos de 2025), isso veio como demanda direta do cliente. E a esmagadora maioria dos projetos de Retrofit executados pela SOLAR SAFETY também já são com câmeras térmicas com arquiteturas de “detecção em camadas”, nas quais a camada térmica perimetral dispara o “detectar-avaliar-responder” e aciona câmeras PTZs (Speed domes) visíveis de apoio.

Importante frisar: “adoção intensiva no último ano” não significa substituição completa de outras camadas. A prática recomendada é multissensor: térmicas para detecção robusta, PTZ/visíveis para avaliação e evidência, e, conforme o caso, barreiras físicas e sensores de apoio.



Custo-benefício e comparação com alternativas

Ao avaliar o custo-benefício, convém comparar cobertura, infraestrutura e desempenho. As câmeras térmicas fixas, usadas nos perímetros, possuem longo alcance de cobertura, diminuindo o número de equipamentos necessários, e reduzindo consideravelmente a infraestrutura (postes, quadros e cabos). Como já citado anteriormente, possuem desempenho superior quando comparadas com câmeras convencionais, com menor sensibilidade a intempéries climáticas e menor taxa de falsos alarmes, ainda mais, quando bem comissionadas e combinadas com IA embarcada nos vídeos analíticos.

Análises comparativas de implantação frequentemente mostram que projetos com térmicas atingem menor custo por quilômetro protegido quando a topologia permite linhas de visada longas, e que o OPEX é reduzido por menor número de falhas e menor número de deslocamentos para verificação de alarmes falsos.

Boas práticas de projeto, implantação e operação

Para assegurar que a solução entregue a assertividade e confiabilidade esperadas, recomenda-se que sejam definidos requisitos claros de DRI, altura e posição de instalação, compatibilização topográfica, para evitar pontos cegos causados pelo próprio terreno, ou estruturas. 

Além disso, é muito importante usar analíticos nativos dos fabricantes para assegurar o melhor desempenho dos equipamentos. Configurar corretamente as linhas/zonas de intrusão e projetar um nobreak e banco de dados adequado para o consumo de energia e armazenamento das imagens. A base de dados precisa estar atualizada, para melhoria constante e diminuição de falsos alarmes. 

O comissionamento do sistema é indispensável. A integração com VMS deve adotar protocolos padrões e integrar eventos a mapas e sinóticos/georeferênciados, associando cada térmica a uma PTZ, tornando possível o rastreio de quem invadir a área da usina. Como medida de segurança operacional é importante ter redundância no armazenamento dos dados e alimentação de energia para o sistema de vigilância e segmentação da rede de dados. 

Por fim, a equipe de operação precisa estar treinada e operar e visualizar as informações fornecidas pelas câmeras térmicas. Elas são ferramentas poderosas, mas sem a decisão e ação humana capacitada, terão pouca efetividade na mitigação real dos problemas que você enfrenta na sua usina.



Conclusão

A proteção de perímetro com câmeras térmicas consolidou-se como padrão de referência em usinas solares por unir alto desempenho de detecção em condições adversas, redução substancial de falsos alarmes e um TCO competitivo quando comparada a alternativas que exigem densidade maior de pontos, iluminação ou infraestrutura dedicada. Num cenário brasileiro de forte expansão fotovoltaica e de incidentes patrimoniais que pressionam a disponibilidade e o resultado financeiro, a “camada térmica” fornece o gatilho de detecção mais robusto para o ciclo detectar-avaliar-responder.

Do ponto de vista de engenharia, as térmicas se beneficiam de critérios DRI, de analíticos de IA em edge e de integração VMS madura, enquanto normas como a série IEC 62676 oferecem métodos para medir e comprovar o desempenho. No plano econômico, o retorno decorre da redução de incidentes consumados e da limitação do tempo de indisponibilidade, com reflexo direto no fluxo de caixa operacional, nas condições de seguro e na reputação do ativo.

Recomenda-se que proprietários e operadores incorporem métricas objetivas (Pd, FAR, MTTR), que realizem testes em campo e que adotem uma arquitetura em camadas (térmicas, PTZ, barreiras físicas e, quando justificável, sensores complementares). Finalmente, a consolidação de dados setoriais no Brasil — por meio de associações, seguradoras e publicações especializadas — permitirá quantificar com maior precisão o impacto financeiro dos incidentes e o ROI das diferentes arquiteturas de segurança.



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Paulo Cagnini

Nascido em 28 de dezembro de 1994 em Pato Branco – PR. Graduação e mestrado em engenharia elétrica pela UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Casado com a Mariana e pai da Cecília. Sócio da ILIOS, Solar Safety e SS Charger, todas vinculadas ao mercado de energia, acompanhando o que há de mais moderno e entregando bons serviços e resultados aos clientes.

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