Cenário de incerteza econômica é uma ameaça que pode ser transformada em oportunidade no setor de energia solar, avalia
Para José Francisco, diretor financeiro da Empresa Mineira de Geração Distribuída (EMGD), mundo todo está focando em redução de consumo e uma maior consciência de sustentabilidade


Os impactos econômicos decorrente da pandemia de COVID-19 trazem uma perspectiva de oportunidades para o mercado de energia sustentável, sobretudo na solar fotovoltaica, avalia o diretor financeiro da Empresa Mineira de Geração Distribuída (EMGD), José Francisco. A companhia irá começar a operação de sua primeira usina fotovoltaica em agosto e inicia atividades no estado com investimentos de R$ 25 milhões.
“Claramente, é uma ameaça que conseguimos transformar em oportunidade. O mundo todo está focando em redução de consumo e uma maior consciência de sustentabilidade. Nosso produto é perfeito nesse contexto, pois oferece economia por meio de uma fonte de energia limpa”, disse o executivo em entrevista ao Portal Solar.
Concebida em 2016, a EMGD passou os últimos quatro anos se estruturando e está prestes a inaugurar sua primeira fazenda solar em Pirapora, na região norte de Minas Gerais. Batizada de Usina Fotovoltaica Corvina, o empreendimento apenas aguarda os trâmites de conexão com a Cemig.
A planta tem potência total de 6 megawatts-pico (MWp), ocupa uma área de 11 hectares e conta com 15 mil placas fotovoltaicas capazes de fornecerem cerca de 925 mil quilowatts-hora por mês. Francisco afirma que 80% da carteira de clientes do empreendimento já está preenchida. “Acredito que dentro de mais duas semanas fechamos essa primeira usina. Foi uma demanda mais alta que esperávamos.”
Ele explica que o foco de atuação da empresa será no consumidor comercial de pequeno e médio porte. “Esse perfil paga uma tarifa altíssima em Minas Gerais. Os consumidores de classe industrial e rural tem um custo menor no mercado regulado, o apelo não é tão forte.”
O plano de investimentos da EMGD ainda prevê a construção de mais 30 usinas fotovoltaicas e investimentos de R$ 400 milhões nos próximos quatro anos. Francisco conta que todos os empreendimentos serão desenvolvidos na região norte de Minas Gerais e a parte inicial das obras deve começar no final de 2020.
“Os empreendedores e acionistas da empresa são todos mineiros. Além disso, Minas Gerais tem um dos melhores índices de irradiação do país, principalmente no norte do estado. Essa região tem muitas oportunidades de terras improdutivas que podem ser utilizadas na construção de usinas, levando desenvolvimento para esses locais”, assinala o executivo.
“Por fim, existe o fato da tarifa da Cemig ser uma das mais caras do país, o que aumenta o apelo para desenvolver o projeto em Minas Gerais. O estado reúne todas essas características que os demais não possuem.” De acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Fotovoltaica (ABSOLAR), Minas Gerais lidera o ranking de instalações de geração fotovoltaica distribuída do Brasil.
Francisco destaca que as 30 novas usinas já têm os pareceres de acesso concedidos pela Cemig e os terrenos definidos. “Basta iniciar esse plano de investimento no pós-pandemia. A situação de quarentena não nos preocupa por enquanto, pois a previsão de início da construção é mais para o final do ano.”
O executivo entende que a forte valorização do dólar em relação ao real não deve representar uma ameaça para esse plano de investimentos. “O valor previsto de R$ 400 milhões havia sido estimado com uma cotação anterior da moeda. É possível que fique um pouco mais caro, mas não vai impactar nossa decisão de investimento. Não temos condição de prever o câmbio no curto e médio prazo, mas nesse patamar entre R$ 5 a R$ 6 não deve nos atrapalhar.”

Ricardo Casarin
Repórter de economia e negócios, com passagens pela grande imprensa. Formado na Universidade de Metodista de São Paulo, possui experiência em mídia impressa e digital e na cobertura de diversos setores como petróleo e gás, energia, mineração, papel e celulose, automotivo, entre outros.
Artigos que podem te interessar

Parte 5: A Perspectiva Estratégica - Por Que BESS é Crítico para o Brasil
O Brasil enfrenta um desafio crescente de segurança energética.
05/01/20261 min de leitura

Parte 4: O Leilão de 2026 - A Corrida Bilionária
Quando Será? Quanto Será?
02/01/20261 min de leitura

Parte 3: Petrobras Entra no Jogo - O Sinal Mais Importante
Um Movimento Estratégico Inesperado
30/12/20251 min de leitura
Mais de 20,5 mil consumidores migraram para mercado livre de energia até novembro
Setores de serviços e comércio lideram o crescimento, mostra levantamento da CCEE
29/12/20252 min de leitura
Brasil inicia 2026 com bandeira tarifária verde
Será o primeiro mês desde abril de 2025 que consumidores de energia do país não terão custo extra na conta de luz
26/12/20251 min de leitura
Confira o ranking das tarifas de energia mais caras do Brasil em 2025
Conta de luz residencial acumulou aumento anual de 11,95% no país
23/12/20251 min de leitura

Parte 2: A Lei 15.269/2025 - Uma Oportunidade Histórica
O Que Mudou (E O Que Não Mudou)
23/12/20251 min de leitura
Energia solar no Brasil é até sete vezes mais barata que nos Estados Unidos
Preço dos sistemas no mercado brasileiro varia de R$ 16 mil a R$ 25 mil, enquanto nos EUA chega a quase R$ 150 mil, aponta estudo da Solfácil
18/12/20252 min de leitura