Extração de lítio em Minas Gerais já iguala arrecadação de 2022

Matéria-prima de baterias está ganhando participação na atividade de mineração do estado

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Sigma Lithium

Em menos de sete meses, a arrecadação das empresas de mineração que atuam na extração de lítio no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, está perto de igualar o total registrado em 2022, informou o Ministério de Minas e Energia (MME). Conforme a pasta, o minério também está subindo em participação entre as substâncias extraídas em terras mineiras.

De 1° de janeiro até 25 de julho de 2023, a extração de lítio em Minas Gerais atingiu o valor de comercialização de R$ 1.445.852.963,28. Isso significa que a marca de R$ 1.456.198.719,52, alcançada em 2022, deve ser ultrapassada em breve. A título de comparação, o comércio do mineral alcançou R$ 271.600.052,86 no ano de 2021. O setor cresceu 436,16% entre 2021 e 2022.

Entre os minerais extraídos em Minas Gerais, o lítio passou do 11° lugar em faturamento para terceiro colocado, de 2021 a 2023. Os primeiros colocados são os minérios de ferro e de ouro. O Brasil é o 7° maior detentor de reservas de lítio no mundo, com 1,23 milhão de toneladas e atualmente é o 5° maior produtor mundial do minério.

Mineral para a transição energética

O lítio é uma das matérias-primas para a produção de baterias e vê a demanda global expandir em razão do crescimento da frota de veículos elétricos. O equipamento também tem importante papel em sistemas de armazenamento de energia, para uso em conjunto com sistemas de energia solar fotovoltaica.

O Brasil está entre os países com maior potencial de extração do mundo, junto com o Chile, Argentina, EUA, Canadá e Austrália. Em maio, o MME A iniciativa busca por meio da mineração e da cadeia produtiva do minério, o desenvolvimento de cidades do Vale do Jequitinhonha, além do nordeste e do norte de Minas Gerais.

Leia mais: Transição energética gera crescimento recorde no mercado de minerais críticos

Conforme a pasta, o lítio do Brasil oferece diferenciais competitivos que otimizam os investimentos. Ao contrário da maioria dos outros países, o minério encontrado em Minas Gerais é de alta pureza, facilitando seu uso na fabricação de baterias mais potentes. Além disso, a extração no estado gasta menos água que o modelo tradicional, modelo compatível com o que há de mais avançado no mundo.

Em julho, a primeira carga de lítio verde do mundo foi despachada do Brasil a partir do Porto de Vitória, no Espírito Santo. O mineral extraído no Vale do Jequitinhonha tem o padrão triplo zero, sem carbono, rejeitos e químicos nocivos. A carga tem como destino a China, que transformará o lítio em baterias a serem utilizadas em todo o mundo.

A extração do minério é de responsabilidade da Sigma Lithium. A primeira remessa tem 15 mil toneladas de lítio verde triplo zero e outras 15 mil toneladas de subprodutos ultrafinos de alta pureza. Até o final do ano, a estimativa de exportação é de cerca de 130 mil toneladas.

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Ricardo Casarin

Repórter de economia e negócios, com passagens pela grande imprensa. Formado na Universidade de Metodista de São Paulo, possui experiência em mídia impressa e digital e na cobertura de diversos setores como petróleo e gás, energia, mineração, papel e celulose, automotivo, entre outros.

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